
Costa Favolosa
ROCKSTAR - POST MALONE
A nossa primeira noite foi qualquer coisa de "SURREAL".
Eu me conectei com a música de tal forma que meus ouvidos pareciam não ouvir mais nada a não ser a batida, a vibração, os instrumentos... eu me senti parte do SOM.
O olhar das pessoas foi algo marcante pois ao mesmo tempo que retratava uma admiração também retratava um desconforto e eu precisaria ter paciência com isso.
Caminhar pelas pessoas trazendo algo tão inovador "e eu tinha consciência disso" foi algo desafiante, mas eu não tinha dúvidas da minha missão.
Quando cheguei neste ambiente e comecei a me movimentar as pessoas pareciam ter parado TUDO que estavam fazendo só pra me observar. Eu vi os olhares fixos em mim.
Senti a curiosidade e ao mesmo tempo a indignação... Como assim? Um homem de botas trazendo feminilidade e além de tudo um empoderamento? Como pode?
Seria algo inédito praquelas pessoas? A verdade é que foi inédito pra mim também, eu estava morrendo de medo de ser rejeitado ou criticado mas quanto
mais eu dançava mais percebia as pessoas se encantando e na minha mente só um pensamento: _Que mau estou fazendo? só estou expressando a
minha arte, sendo livre, retratando aquilo que eu acredito pra passar a mensagem que eu tenho pra passar e aos poucos as pessoas foram relaxando e entendendo que eu
trazia algo realmente "diferente" mas que era digno, autêntico e genuíno. Eu busquei respeitar aquelas pessoas sem que elas soubessem... o fato de estar
usando uma roupa delicada, de renda, sem excessos foi a minha forma de dizer que eu as respeito e que elas não precisariam ter medo de mim. Logo esta atmosfera foi
se contagiando e muitos abraços recebi, elogios, carinho e palavras de coragem... aos poucos fui percebendo quem eram os primeiros desprendidos de preconceito
esse preconceito que mata, que destrói, que impede o outro de ser o que ele é. Aos poucos fui me sentindo querido e aceito no ambiente em que eu estava e então
pude sentir o terreno realmente fértil. Ali naquele momento eu senti como se minha alma tivesse trascendendo e meu corpo sendo apenas instrumento.
Meus pensamentos fluiam pra um campo de gratidão intenso e meu coração parecia transbordar de alegria.
Nunca havia sentido isso antes, tamanha plenitude e tamanha honestidade comigo mesmo. Eu estava fazendo jus ao dom que me foi dado.
Deus já havia escrito essas linhas do meu destino... eu já sabia que viveria aquele momento. Eu senti meu corpo inteiro diferente... Senti minha alma sendo abraçada.
Agradecendo em pensamento por ser merecedor. Senti que estava recebendo o meu presente.
E eu estava pleno... estava leve... estava conectado com o universo.
Naquele momento entendi TUDO que estava acontecendo e entendi o que vinha pela frente também. Entendi o propósito de estar ali e entendi tudo que Deus havia planejado.
Entendi o jogo, a escola, a faculdade. Eu precisava estudar e então comecei a usar tudo ao meu favor.
Tudo que estudei por horas nas madrugadas em meu Studio, todo o suor, o cansaço, a dedicação não foram a toa. Ali entendi o propósito de tanto estudo de auto
conhecimento e busca interna de minhas raizes, essência e personalidade e ali entendi que era o momento de botar em prática, ali era a prova final mas sabia que só
estava no começo pois ainda viriam outras 7 noites incríveis pra eu me desafiar, me entregar e me superar.
Ali entendi o que Deus vinha preparando pra mim a tantos anos... Eu estava no Dançando a Bordo 2018 "a primeira edição com rota internacional" em meio a
vários artistas renomados do cenário da Dança de Salão do Brasil representando o STILETTO DANCE com o meu nome RG STUDIO a minha marca, as minhas influências e
a minha essência.
Esse dia eu praticamente não dormi de tanta alegria...
Rodrigo Nogueira (Noite do Branco) - 5 de Março de 2018 - Costa Favolosa - Dançando a Bordo.